sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Cruz do Patrão


Dando uma olhadinha na minha lista de blogs, vi um post sobre esse monumento de Recife, como nunca tinha ouvido falar dele antes, fui procurar um pocuo mais sobre o assunto e descobri sobre as assombrações do local, ainda não satisfeito e querendo também imagens para postar aqui, fui até o local conferir com meus próprios olhos tudo que li.

Ao chegar lá me deu logo um frio na espinha e eu pensei "como que um lugar desse que fez parte da história pode estar assim abandonado?", é muito bonito, está abandonado e é bem tenebroso também.

Pra vocês conhecerem um pouco sobre o monumento e sua história, fiz uma pesquisa sobre o assunto e vou postar o resultado dela com minhas palavras aqui para vocês. 

A Cruz do Patrão originalmente era de madeira e o monumento teria sido construído no século XVII, pelos holandeses, para servir de orientação às embarcações que entravam no porto do Recife, ela tem 6 metros de altura e 2 metros de diâmetro.



Esse local é considerado um dos lugares mais assombrados do Recife, se não for o mais assombrado de todos, ela fica onde existia um istmo que ligava Recife a Olinda as margens do rio Beberibe, além de marco para navegação, o local tinha outras funções como servir de tumba de sepultamento dos escravos que vinham da África e morriam durante a longa viagem, além de enterrar escravos, lá servia de palco para execuções dos militares condenados à pena capital, como o que ficou mais famoso, soldado João Luís dos Santos que era do 1º Batalhão de Fuzileiros, que sucumbiu diante da grande saraivada de balas desferidas pelos companheiros de farda, na presença de "numerosa porção de povo", por volta de 1850.


Por conta desses acontecimentos, a maioria das pessoas preferiam pegar o caminho mais longo entre Recife e Olinda, para evitar passar próximo da Cruz do Patrão, isso fez com que o local se tornasse ermo e de pouquíssima movimentação, tornando-se assim um ponto ideal para reuniões de feiticeiros praticantes das artes mágicas vindas do continente africano.


Segundo o escritor Franklin Távora, acreditava-se que todo aquele que passasse pelo local da Cruz do Patrão à noite veria almas penadas e seria perseguido por terríveis espíritos, num dos festejos dos negros africanos, teve como ápice o aparecimento do próprio Exu, figura com olhos de fogo e preto feito carvão. O espírito dirigiu suas atenções a uma moça que participava do culto e a perseguiu até o rio Beberibe, onde ela se atirou, enganado pela vista dos mangues, o demônio atirou-se após a fugitiva, julgando entrar em uma floresta. Assim porém que o corpo ígneo se pôs em contato com as águas frias houve uma súbita explosão que destruiu o furioso animal. O estampido ribombou como descarga elétrica. Nuvem de fumo espesso, que tresandou a enxofre, cobriu a face do Beberibe. No outro dia, na baixa-mar , apareceu no lugar onde a negra tinha afundado, não o seu corpo, mas a coroa preta que indicou aí por diante aos feiticeiros a vingança do espírito das trevas. (Frankling Távora)


No local, naquela época, um estudante que foi encontrado morto junto à cruz. Um soldado foi culpado pelo crime, e levado à Fernando de Noronha. Tempos depois, foi descoberto que outro indivíduo, invadido por um “espírito infernal”, teria cometido o crime. A notícia chegou tarde, pois o soldado já havia falecido na prisão da ilha. No século XX, ainda houveram outros relatos. Veja logo abaixo, essa nota publicada pelo jornal A Província em 15 de setembro de 1929, sob o título “Na Cruz do Patrão, um marítimo morreu afogado”.
“Na Aldeia do Brum, bairro do Recife, residia Cyriaco de Almeida Catanho, remador da praticagem da barra. Pela manhã de ontem, cerca de seis horas, aquele marítimo deixou a sua residência indo banhar-se na Cruz do Patrão, local onde várias pessoas têm morrido afogadas (grifo nosso). Em certa altura do banho, alguns companheiros de Cyriaco Catanho que se encontravam nas proximidades da Cruz do Patrão observaram ele pedir socorro. É que a sua vida perigava. Trataram de dar os socorros solicitados. Infelizmente, porém, estes não deram o resultado esperado. Cyriaco Catanho havia se submergido. Comunicado o fato à Polícia Marítima, foram iniciadas as pesquisas para o fim de ser encontrado o cadáver. A polícia do Primeiro Distrito também tomou conhecimento da ocorrência. O morto era casado e deixou um filho de dois meses de idade.”
O monumento resistiu ao tempo e às investidas da maresia, sem nenhum cuidado humano com a antiga construção. Pode ser vista, bem ao longe, por quem atravessa a Ponte do Limoeiro (sentido subúrbio-cidade), embora poucos saibam o que ela representa (assim como eu não sabia). Será que seu esquecimento se dá pelo fato de ser habitada pelas almas penadas e espíritos malígnos, ou apenas puro descaso?

Mesmo depois de saber de tudo isso, o malucão aqui foi lá pra conhecer de perto essa tão assombrada Cruz do Patrão e confesso que fiquei bastante assustado e com um pouco de medo (nem demorei muito, saí rapidinho), enquanto fotografava, escutava passos atrás de mim e sabe aquela sensação de ter alguém bem atrás de você, senti isso (chega me deu um forte arrepio ao lembrar agora) e decidi finalizar logo as fotos para sair depressa daquele lugar.


Agora seguem as fotos que tirei lá...

Essa é a visão da entrada do local.

Essa é uma panorâmica da entrada.

Após alguns passos entrando.

 Mais próximo.

6 metros de altura e 2 metros de diâmetro.

 Visão contrária da entrada, na beira do rio.

 
 Mais próximo.

Panorâmica na beira do rio Beberibe.

Com o sol se pondo.

 Tentativa de fazer uma foto artística.

 Construções com grandes buracos (não sei pra quê e nem cheguei perto) ZOOM ;-D
 Essa está interligada com a anterior.

Não faço a menor idéia do que sejam esses buracos no chão, sei que são grandes (para os lados) e cabem uma pessoa em pé!

Cemitério de vários animais, vi esse pássaro que tinha morrido a pouco tempo e vi também vários esqueletos (espalhados).



Para quem se interessar de conhecer a Cruz do Patrão, vou deixar aqui abaixo um simples mapa mostrando o local no ponto B.

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